O adivinho
Um adivinho fazia dinheiro sentado na praça pública. E, de repente, alguém veio lhe contar que a porta de sua casa estava arrombada e que tinham levado tudo o que havia lá dentro. Desnorteado, ele deu um pulo e, entre gemidos, já saía correndo para ver o que havia acontecido, quando uma pessoa que se achava por ali, ao ver o estado do adivinho, disse: “Mas você, que alardeia prever o futuro dos outros, como é que não previu o seu próprio?”.
Desta fábula poderia servir-se uma pessoa a propósito que administram daqueles homens precariamente a própria vida e se entregam a preocupações que não lhes dizem respeito.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 35