Esopo 382

Ζεὺς κριτής.

Ὁ Ζεὺς τὰς τῶν ἀνθρώπων ἁμαρτίας ἐν ὀστράκοις τὸν Ἑρμῆν ὥρισε γράφειν, καὶ εἰς κιβώτιον ἀποτιθέναι πλησίον αὐτοῦ, ὅπως ἑκάστου τὰς δίκας ἀναπράσσῃ. Συγκεχυμένων δὲ τῶν ὀστράκων ἐπ’ ἀλλήλοις, τὸ μὲν βράδιον, τὸ δὲ τάχιον ἐμπίπτει εἰς τὰς τοῦ Διὸς χεῖρας, εἴποτε καλῶς κρίνοιτο.

Ὅτι οὐ χρὴ θαυμάζειν διὰ τοὺς ἀδίκους καὶ πονηροὺς ὅτι τάχιον οὐκ ἀπολαμβάνουσιν ὑπὲρ τῶν ἀδικιῶν αὐτῶν.

Referência do texto grego (Chambry 127.1)
CHAMBRY, Émile (ed.). Aesopi Fabulae. Paris: Société d’Édition “Les Belles Lettres”, 1925-1926, p.235. Edição digital disponível na Perseus Digital Library, com correções incidentais. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.5090923. Acesso em 24.apr.2023.

Esopo 383

Ζεὺς καὶ Προμηθεὺς καὶ Ἀθηνᾶ καὶ Μῶμος.

Ζεὺς καὶ Προμηθεὺς καὶ Ἀθηνᾶ κατασκευάσαντες, ὁ μὲν ταῦρον, Προμηθεὺς δὲ ἄνθρωπον, ἡ δὲ οἶκον, Μῶμον κριτὴν εἵλοντο. Ὁ δὲ φθονήσας τοῖς δημιουργήμασιν ἀρξάμενος ἔλεγε τὸν μὲν Δία ἡμαρτηκέναι, τοῦ ταῦρου τοὺς ὀφθαλμοὺς ἐπὶ τοῖς κέρασιν μὴ θέντα, ἵνα βλέπῃ ποῦ τύπτει· τὸν δὲ Προμηθέα, διότι τοῦ ἀνθρώπου τὰς φρένας οὐκ ἔξωθεν ἀπεκρέμασεν, ἵνα μὴ λανθάνωσιν οἱ πονηροί, φανερὸν δὲ ᾖ τί ἕκαστος κατὰ νοῦν ἔχει, τρίτον δὲ ἔλεγεν ὡς ἔδει τὴν Ἀθηνᾶν τὸν οἶκον τροχοῖς ἐπιθεῖναι, ἵνα, ἐὰν πονηρός τις παροικισθῇ γείτων, ῥᾳδίως μεταβαίνῃ. Καὶ ὁ Ζεὺς ἀγανακτήσας κατ’ αὐτοῦ ἐπὶ τῇ βασκανίᾳ τοῦ Ὀλύμπου αὐτὸν ἐξέβαλεν.

Ὁ λόγος δηλοῖ ὅτι οὐδὲν οὕτως ἐστὶν ἐνάρετον ὃ μὴ πάντως περί τι ψόγον ἐπιδέχεται.

Referência do texto grego (Chambry 125.1)
CHAMBRY, Émile (ed.). Aesopi Fabulae. Paris: Société d’Édition “Les Belles Lettres”, 1925-1926, p.232-233. Edição digital disponível na Perseus Digital Library, com correções incidentais. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.5090923. Acesso em 24.apr.2023.

Bábrio 2.108

O rato do campo e o rato da cidade

Dois ratos — um que sobrevivia no campo

e o outro que se entocava numa rica despensa

decidiram compartilhar entre si os seus modos de vida.

Primeiro foi o rato doméstico que chegou para jantar

no campo, quando a plantação floria verdejante. 5

Enquanto ia comendo minguadas e úmidas raízes

de grãos, misturadas em escuros torrões,

dizia: “Levas a vida de uma pobre formiga,

devorando no fundo da terra magros cereais.

Mas eu disponho de recursos em quantidade e de sobra; 10

comparado a ti, eu moro no corno de Amalteia.

Se vieres em minha companhia, te fartarás como quiseres.

Deixa para a toupeira o trabalho de escavar a terra!”

E levou embora o rato lavrador, após convencê-lo

a enfiar-se na casa do homem por baixo da parede. 15

Então indicou-lhe onde ficava a pilha de mantimentos,

onde estava o estoque de grãos e as vasilhas de figos,

os jarros de mel e os cestos de tâmaras.

E ele, deliciado com aquilo tudo, encheu-se de estímulo e

quando foi arrastar de um cestinho um naco de queijo, 20

uma pessoa abriu a porta. Ele deu um salto, afastando-se,

e fugiu assustado para dentro do buraco estreito,

dando guinchos confusos e comprimindo o anfitrião.

Esperou um pouco, deu uma espiada lá fora e, então,

cuidou de apanhar um figo de Camiro. 25

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Bábrio 2.111

O asno que carregava sal

Um mascate que possuía um asno ouviu dizer

que no litoral o sal estava com bom preço,

e resolveu comprá-lo. Após carregar fartamente

o asno, tomou o caminho de volta. A viagem prosseguia

e de repente o asno sem querer resvalou num riacho. 5

Como parte do sal se diluísse, ele se sentiu aliviado,

ergueu-se com facilidade e sem esforço chegou

à sua região, no interior. Após a venda do sal, de novo

o mascate levou o asno para carregá-lo com mais carga

e tornou a colocar sobre ele o fardo. E quando ele, afadigado, 10

ia cruzar a correnteza, justo onde caíra na vez anterior,

foi ao chão de propósito. Novamente a carga se dissolveu

e ele se ergueu leve, alegre como se tivesse lucrado alguma coisa.

Então o mascate pensou bem e, numa outra vez, retornou

com uma carga ainda maior, mas de esponjas porosas, 15

extraídas do mar; do sal ele não quis mais saber.

E o asno, ao aproximar-se do córrego, matreiramente

caiu de propósito. Mas as esponjas a um só tempo

se encharcaram, a carga inteira aumentou de volume

e ele foi embora carregando um peso dobrado nas costas. 20

[Muitas vezes a gente se dá mal com aquilo com que um dia se deu bem.]

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]