Bábrio 2.139

O asno em pele de leão

Um asno estendeu sobre as ancas uma pele de leão

e presumiu que era temível para todos os homens.

Dava saltos e coices, causando a fuga dos homens

e também a fuga dos rebanhos todos.

Mas, com o sopro do vento, a pele de seu lombo 5

se despregou e ele se fez notar como asno.

E uma pessoa lhe disse, surrando-o com o porrete:

“Nasceste asno, não imites leão.”

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Bábrio 2.140

A cigarra e a formiga

No inverno uma formiga arrastava de dentro da toca

o trigo para arejar, que ela havia estocado no verão.

Então uma cigarra faminta pôs-se a suplicar-lhe

que lhe desse algum alimento, para continuar viva.

“Ora, o que estiveste fazendo”, disse, “nesse verão?” 5

“Não estive à toa. Ao contrário, passei o tempo todo a cantar.”

A rir a formiga vai guardando no interior o trigo

e diz: “Se flauteaste no verão, dança no inverno!”

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Bábrio 2.143

O lavrador e a víbora

Uma víbora que estava morrendo por causa do frio

um lavrador acolheu e pôs-se a aquecê-la. Agarrada

à sua mão ela se estirou e, dando-lhe uma picada fatal,

matou justamente aquele que queria fazê-la reviver.

Ao morrer, ele disse uma frase digna de recordação: 5

“Sofro o merecido por ter-me condoído de um malvado.”

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]