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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Íris, a mensageira do céu vestida de púrpura, certa vez
anunciou a instituição, na morada dos deuses, de um concurso
de beleza para os seres alados. Por toda parte a notícia correu logo
e de todos se apossou o desejo dos divinos prêmios.
De certa rocha inacessível a cabras gotejava uma fonte, 5
e a água armazenada era límpida, de verão.
Aí veio ter a raça de todos os pássaros:
eles lavavam seus rostos e suas canelas,
sacudiam as asas, penteavam os penachos.
Também àquela fonte veio ter um gaio, 10
velho, filho de uma gralha: fez apliques com
uma pena de um e outra de outro em seus ombros úmidos,
— era singular seu adorno matizado, de penas de todos eles! —.
e rumou à morada dos deuses, mais ancho que uma águia.
Assombrado, Zeus estava prestes a conceder-lhe a vitória, 15
se a andorinha, ateniense que era, não o desmascarasse,
sendo a primeira a arrancar-lhe uma pena.
Ele então lhe disse: “Não me delates!”
Mas nisso pôs-se a depená-lo a rola, o tordo,
a pega e a cotovia, que brinca nas sepulturas, 20
e o gavião espreitador de pássaros-filhotes;
As demais fizeram igual e ele como gaio se fez notar.
Filho, adorna a ti próprio com adornos que te pertencem,
pois se te sobressaíres com recursos alheios, serás despojado.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Estava um corvo pousado com um queijo preso no bico,
quando uma raposa, cobiçando o queijo, matreira
logrou o pássaro com um palavreado assim:
“Ó corvo, tuas asas são belas, teu olhar é penetrante
e teu pescoço é digno de ser visto. Ostentas um peito de águia! 5
Com tuas garras, sobre todos os animais prevaleces.
Tu, um pássaro de tal porte, és mudo e não crocitas!”
O corvo, tocado no coração pelo encômio,
soltou da boca o queijo e ficou a emitir gritos.
E a espertalhona agarrou o queijo e com língua ferina 10
disse: “Tu não eras mudo! Ao contrário, tens voz!
Tens, ó corvo, tudo, tudo; só te falta juízo!”
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Uma cadela roubou carne de um açougueiro
e foi para junto de um rio. Na superfície da água
avistou o reflexo da carne em tamanho muito maior.
Então desfez-se da carne e lançou-se sobre o reflexo.
Não encontrando o reflexo nem a carne que rejeitara, 5
pôs-se a trilhar faminta o caminho de volta.
[Insegura é a vida de todo homem insaciável
que se consome em vãs esperanças de negócios.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]