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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um leão que já não mais tinha forças de ir à caça
(pois há muito tempo já adentrara a velhice),
no interior de côncava caverna jazia, feito pessoa
debilitada por doença, simulando respiração ofegante
e enfraquecendo por fingimento a voz grave. 5
Às moradas das feras chegou o rumor mensageiro;
todos se condoeram da enfermidade do leão
e, um por vez, iam lá para fazer-lhe uma visita.
A esses ele agarrava sem esforço, um após o outro,
e os devorava; acabava de descobrir opulenta velhice! 10
Então uma raposa sábia teve suas suspeitas e, à distância
detendo-se, perguntou-lhe: “Ó rei, como estás?”
E ele respondeu: “Salve, ó caríssima dentre as criaturas!
Por que não te aproximas? Ficas a fitar-me de longe!
Vem aqui, ó doçura, e com teus palavreados multicoloridos 15
consola-me a mim, pois minha morte está próxima.”
“Estimo tuas melhoras!”, diz ela, “e perdoa-me se estou de partida.
Impedem-me de entrar as pegadas de numerosos animais
e não tens como apontar-me as de um único que tenha saído.”
Venturoso é aquele que não enfrenta o malogro antes dos demais, 20
mas ele próprio procura aprender com as desgraças alheias.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um leão caçou um rato e estava prestes a jantá-lo,
quando o desditoso ladrão devasta-casa, à beira da morte,
tais palavras pôs-se a murmurar suplicante:
“Cervos e touros chifrudos é o que convém a ti
caçar, e encher a pança com essa carne; 5
um rato como refeição nem para tocar a ponta
de teus lábios será suficiente. Mas imploro-te, poupa-me.
Apesar de pequenino, honrar-te-ei com um favor igual.”
A rir a fera deixou que o suplicante continuasse vivo.
E tendo caído nas mãos de jovens amantes da caça 10
foi apanhado na rede e, abatido, acabou amarrado.
Então o rato pulou sorrateiro de um buraco,
com os minúsculos dentes serrou o nó resistente e
soltou o leão. Beneficiado com o direito de contemplar a luz
o rato, ao salvar-lhe a vida, lhe deu justa recompensa. 15
A fábula é clara para os homens que raciocinam bem:
salvar os pobres, e não perder as esperanças neles,
se até um leão apanhado em armadilha um rato salvou.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
O gênero de Esopo é constituído de exemplos;
e, através das fábulas, não se busca nenhuma outra coisa
a não ser corrigir-se o erro dos mortais
e aguçar seu diligente talento.
Portanto, seja qual for o modo lúdico de narrar, 5
desde que capte o ouvido e conserve o seu propósito,
é recomendado pelo conteúdo, não pelo nome do autor.
Sem dúvida, manterei com todo o cuidado o costume do velho;
mas se eu tiver vontade de intercalar algo,
para que a variedade dos ditos deleite os sentidos, 10
eu gostaria, leitor, que aceitasses de bom grado,
contanto que a brevidade compense esse favor.
E para que a sua recomendação não seja prolixa,
escuta por que deves negar aos ambiciosos
e oferecer aos modestos até mesmo o que não solicitaram. 15
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.
Um leão estava de pé sobre um novilho abatido.
Um ladrão intervém, reclamando uma parte.
“Eu te daria” diz “se não tivesses o costume de pegar por ti mesmo”;
e rechaçou o malandro. Casualmente, um inofensivo
viajante chegou ao mesmo local 5
e, ao ver o feroz animal, retrocedeu.
E aquele lhe diz pacificamente: “Não há por que temer;
e pega sem medo a parte que lhe é devida
por tua modéstia.” Então, repartida a presa,
dirigiu-se à floresta, para deixar o caminho livre ao homem. 10
Um exemplo perfeitamente egrégio e louvável;
porém a ambição é rica e o recato, pobre.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.
Que os homens são de todo modo espoliados pelas mulheres,
amem ou sejam amados, aprendemos certamente pelos exemplos.
Uma mulher não inexperiente, ocultando seus anos
com elegância, amava um certo homem de idade mediana
e desse mesmo homem uma linda jovem tinha conquistado o coração.5
As duas, querendo parecer iguais a ele na idade,
começaram a arrancar alternadamente os cabelos do homem.
Este, que achava que era cuidado pelo capricho das mulheres,
de repente ficou careca; pois a garota tinha arrancado
pela raiz os brancos e a velha, os negros. 10
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.