Prólogo
De homens justos era a primeira raça,
ó Branco meu filho, à qual chamam áurea,
a ela, dizem, seguiu-se outra, argêntea;
e depois delas a terceira somos nós, férrea.
No tempo da áurea também os demais viventes 5
voz articulada possuíam e conheciam falas
tais quais nós nos dizemos uns aos outros,
e suas praças eram nos centros dos bosques.
Palestravam pinheiro e folhas de loureiro,
peixe nadador conversava com nauta amigo 10
e pardais se entendiam bem com lavrador.
Tudo brotava da terra, que nada pedia em troca,
entre mortais e deuses havia camaradagem.
Podes conferir e saber que assim eram as coisas
recorrendo a Esopo, o velho sábio que nos 15
comunicou fábulas em musa livre;
dessas cada uma floreei com minha bagagem
e agora vou-te expor um melífluo favo de lótus:
de acerados iambos afeminei ásperas parcelas.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]