Afrodite e a mocinha escrava
Um sujeito se apaixonou por uma escrava sua
feia e encardida, e lhe provia prontamente
tudo que ela pedia. E ela, cheia de ouro,
arrastando leve púrpura até as canelas,
arrumava toda briga com a dona da casa. 5
Mas a Afrodite, como causadora disso tudo,
ela honrava com lamparinas, e todo santo dia
oferecia sacrifício, orava, pedia, perguntava,
até que um dia a deusa, eles dormindo,
veio em sonho e, aparecendo à escrava, diz: 10
“não tenhas gratidão por mim, como a que te faz bela;
É com ele, a quem pareces bela, que estou furiosa.”
[todo o que se alegra com o feio como sendo belo é um sujeito louco e cego de juízo.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]