Bábrio 1.35

Os filhotes da macaca

São dois filhotes que a macaca põe no mundo,

mas após o parto não é mãe igual para ambos.

Um deles, sob efeito de infeliz predileção,

ela sufoca, empolgada, em selvagens abraços,

e o outro ela rejeita, por supérfluo e inútil. 5

E esse vai para a solidão e sobrevive.

         Tal é o comportamento de tantos homens;

desses, torna-te sempre antes inimigo do que amigo.

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Bábrio 1.36

O carvalho e o bambu

Um vendaval arrancou de um monte um carvalho pela raiz

e deu-o a um rio. Este ia arrastando entre a voragem

a planta gigantesca, dos tempos dos homens de outrora.

Havia em cada margem um denso bambuzal

que bebia da barranca do rio a água ligeira. 5

O assombro tomou o carvalho: como é que o outro,

por demais leve e frágil, não tinha sido abatido,

enquanto ele, tamanho carvalho, se desenraizara?

Com sabedoria o bambu falou: “Não fiques chocado!

Lutando contra as rajadas de vento, foste vencido; 10

já nós nos vergamos, devido ao caráter maleável,

mesmo que um vento fraco nos agite no topo”.

     [Assim disse o bambu. E a fábula, sim, deixa claro

que não se deve lutar contra os poderosos, mas recuar.]

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]