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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Rivalizavam entre si um abeto e um cardo.
E o abeto a si mesmo de muitas maneiras se gabava:
“Sou formoso e de tamanho considerável,
cresço na vertical, convivo com as nuvens,
sou vigamento do teto e quilha de barcos. 5
Como te comparas, espinheira, a uma árvore de tal porte?”
E o cardo disse ao abeto: “Se tiveres memória
dos machados que estão sempre a abater-te,
ser um cardo também tu escolherás de preferência.”
Todo homem ilustre, muito mais do que os inferiores,
tanto obteve prestígio como suportou perigos.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Prometeu era um dos deuses, e um dos primeiros.
E foi ele — dizem — que plasmou da terra o homem
como senhor dos animais. E nele dois embornais
pendurou — dizem — de vícios humanos
ambos repletos, os alheios no embornal da frente 5
e os pessoais no embornal de trás, que era bem maior.
Por isso — é a minha impressão — as desgraças alheias
vemos com nitidez, mas ignoramos as de nossa casa.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um onagro e um leão formaram uma sociedade de caça;
em força o leão era superior, mas o asno era melhor nas patas.
Quando conseguiram uma boa quantia de animais,
o leão faz a partilha, determina três porções
e diz: “Esta eu próprio pegarei em primeiro lugar, 5
pois sou rei; e pegarei também aquela
como sócio com direitos iguais. E a terceira, essa
irá causar-te um certo mal, se não quiseres fugir.”
Mede a ti próprio. Nenhum negócio com homem
mais poderoso combines nem faças sociedade com ele. 10
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Íris, a mensageira do céu vestida de púrpura, certa vez
anunciou a instituição, na morada dos deuses, de um concurso
de beleza para os seres alados. Por toda parte a notícia correu logo
e de todos se apossou o desejo dos divinos prêmios.
De certa rocha inacessível a cabras gotejava uma fonte, 5
e a água armazenada era límpida, de verão.
Aí veio ter a raça de todos os pássaros:
eles lavavam seus rostos e suas canelas,
sacudiam as asas, penteavam os penachos.
Também àquela fonte veio ter um gaio, 10
velho, filho de uma gralha: fez apliques com
uma pena de um e outra de outro em seus ombros úmidos,
— era singular seu adorno matizado, de penas de todos eles! —.
e rumou à morada dos deuses, mais ancho que uma águia.
Assombrado, Zeus estava prestes a conceder-lhe a vitória, 15
se a andorinha, ateniense que era, não o desmascarasse,
sendo a primeira a arrancar-lhe uma pena.
Ele então lhe disse: “Não me delates!”
Mas nisso pôs-se a depená-lo a rola, o tordo,
a pega e a cotovia, que brinca nas sepulturas, 20
e o gavião espreitador de pássaros-filhotes;
As demais fizeram igual e ele como gaio se fez notar.
Filho, adorna a ti próprio com adornos que te pertencem,
pois se te sobressaíres com recursos alheios, serás despojado.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]