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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um asno estendeu sobre as ancas uma pele de leão
e presumiu que era temível para todos os homens.
Dava saltos e coices, causando a fuga dos homens
e também a fuga dos rebanhos todos.
Mas, com o sopro do vento, a pele de seu lombo 5
se despregou e ele se fez notar como asno.
E uma pessoa lhe disse, surrando-o com o porrete:
“Nasceste asno, não imites leão.”
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
No inverno uma formiga arrastava de dentro da toca
o trigo para arejar, que ela havia estocado no verão.
Então uma cigarra faminta pôs-se a suplicar-lhe
que lhe desse algum alimento, para continuar viva.
“Ora, o que estiveste fazendo”, disse, “nesse verão?” 5
“Não estive à toa. Ao contrário, passei o tempo todo a cantar.”
A rir a formiga vai guardando no interior o trigo
e diz: “Se flauteaste no verão, dança no inverno!”
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Uma víbora que estava morrendo por causa do frio
um lavrador acolheu e pôs-se a aquecê-la. Agarrada
à sua mão ela se estirou e, dando-lhe uma picada fatal,
matou justamente aquele que queria fazê-la reviver.
Ao morrer, ele disse uma frase digna de recordação: 5
“Sofro o merecido por ter-me condoído de um malvado.”
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
De homens justos era a primeira raça,
ó Branco meu filho, à qual chamam áurea,
a ela, dizem, seguiu-se outra, argêntea;
e depois delas a terceira somos nós, férrea.
No tempo da áurea também os demais viventes 5
voz articulada possuíam e conheciam falas
tais quais nós nos dizemos uns aos outros,
e suas praças eram nos centros dos bosques.
Palestravam pinheiro e folhas de loureiro,
peixe nadador conversava com nauta amigo 10
e pardais se entendiam bem com lavrador.
Tudo brotava da terra, que nada pedia em troca,
entre mortais e deuses havia camaradagem.
Podes conferir e saber que assim eram as coisas
recorrendo a Esopo, o velho sábio que nos 15
comunicou fábulas em musa livre;
dessas cada uma floreei com minha bagagem
e agora vou-te expor um melífluo favo de lótus:
de acerados iambos afeminei ásperas parcelas.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um homem foi caçar na montanha,
destro no disparo da flecha; aí se deu a fuga
dos animais todos e a correria cheia de medo.
Só o leão foi ousado e chamou-o para briga.
“Espera, não tenhas pressa”, disse-lhe 5
o homem, “nem ponhas esperança na vitória;
na primeira topada com meu mensageiro, saberás
o que podes fazer”. A seguir ele dispara a flecha,
um pouco distanciado. E o dardo se ocultou
nos intestinos flácidos do leão. E o leão apavorado 10
ameaçou fugir para a solidão dos vales frondosos.
Dele, porém, uma raposa não longe estava postada.
Ela sugerindo-lhe ter coragem e ficar firme, ele diz:
“Não me desviarás nem me farás ciladas,
pois se ele me envia um mensageiro tão penetrante, 15
já estou sabendo o quão temível ele é pessoalmente”.
[(A fábula diz) que é preciso, conhecer a tendência de cada pessoa a partir das propostas que ela faz. Também diz que a sabedoria difere da força física.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um lavrador que cavoucava um vinhedo
perdeu o alvião e se pôs a procurá-lo −
vai que um dos roceiros dali o tivesse afanado!
Cada um deles negava. Não tendo o que fazer,
levou todos à cidade, para fazê-los prestar juramento; 5
pois imaginam que os deuses habitantes dos campos
são ingênuos e que os que moram cercados de muros
são atilados e em tudo estão de olho.
Quando, então, após adentrarem as portas, numa fonte
depuseram os embornais e começaram a lavar os pés, 10
um arauto anunciava mil dracmas de recompensa
para uma notícia sobre os despojos subtraídos do deus.
Então, ao ouvir isso, o lavrador falou: “Vim mesmo à toa!
pois como um deus assim saberia de outros ladrões,
se ele não tem noção nem dos gatunos dele próprio, 15
e paga para saber se algum homem os conhece?”
[(A fábula diz) que é preciso desconfiar daqueles que prometem coisas de que não são donos.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]