Fedro 1.30

As rãs temendo as brigas dos touros

Os humildes padecem quando os poderosos estão em desacordo.

Uma rã no brejo, vendo uma briga de touros,

diz: “Ai, que grande desgraça nos ameaça!”

Perguntada por outra por que dizia isto,

já que eles disputavam a liderança do rebanho 5

e os bois viviam sua vida longe delas:

“A morada está afastada e a raça é diferente;

aquele que, expulso, fugir do reino dos bosques,

virá para os esconderijos secretos do brejo

e pisará em nós e nos esmagará com sua dura pata. 10

Assim o furor deles tem a ver com a nossa cabeça.”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 1.31

O gavião e as pombas

Quem confia a própria defesa a um homem ímprobo,

buscando proteção, encontra a ruína.

Como as pombas tivessem muitas vezes fugido do gavião

e evitado a morte graças à rapidez de suas asas,

o rapinador mudou seu plano para a astúcia 5

e enganou a espécie indefesa com o seguinte dolo:

“Por que preferis levar uma vida cheia de preocupação

em vez de, firmada uma aliança, me nomear vosso rei,

para que, seguras, eu vos proteja de toda injúria?”

Elas, confiantes, se entregam ao gavião; 10

este, tendo obtido o reino, começou a comê-las uma a uma

e a exercer a autoridade com suas cruéis garras.

Então uma das que restavam: “Merecidamente somos punidas.”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.