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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um urso alardeava amor incomum pelo homem,
dizendo, pois, que não lhe rasgava o cadáver.
Disse-lhe, então, uma raposa: “Mais eu gostaria
se rasgasses um morto, mas não tocasses no vivo.”
[Que não me pranteie morto quem me prejudica vivo.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um ateniense com um tebano caminhava
junto e, naturalmente, ia conversando;
e o colóquio fluía e chegou nos heróis,
assunto extenso e ademais desnecessário.
por fim o tebano enaltecia o filho de Alcmena: 5
o maior dos homens, e até mesmo dos deuses;
e o de Atenas dizia que muito melhor tinha sido
Teseu, que fora aquinhoado com uma sorte
realmente divina, enquanto Héracles, com a servidão.
Ia dizendo e vencendo; ele era de fato orador loquaz.
Então o outro, beócio que era, não tendo igual
belicosidade com palavras, disse em estilo rústico:
“Chega! és o vencedor. Já que é assim, que Teseu
se zangue conosco, e Héracles, com os atenienses.”
[(A fábula diz) Que não se deve induzir os maiorais a irritação contra os súditos, nem a conversas-fiadas e discórdias]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Certa ama campônia ameaçava o garotinho
que chorava: “Cala-te. Se não, eu te jogo para o lobo!”
Um lobo a ouviu e, presumindo que a velha a verdade
falava, ficou aguardando, à espera de uma pronta refeição,
até que a criança à tardinha adormeceu, enquanto ele 5
faminto e de boca escancarada — afinal, era lobo! — foi-se embora,
após ter tomado assento junto de folgadas esperanças.
Então a loba, sua companheira, perguntou-lhe:
“Como? Vieste sem nada trazer? Não era esse o teu costume!”
E ele falou: “Como, se eu dou crédito a uma mulher?” 10
[A fábula nos ensina que não se deve acreditar em todo mundo, principalmente em uma mulher que faz grandes e numerosas promessas. Para aquele que foi logrado com enganos ocos.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
De negra videira junto a um monte, uvas
pendiam em balanço. Ao vê-las viçosas,
uma ladina raposa por várias vezes deu saltos
tentando com as patas tocar no rubro fruto;
estava maduro, no ponto para a vindima. 5
Fatigando-se à toa, pois não podia tocá-los,
ela seguiu caminho, disfarçando assim a dor:
“Está verde o cacho, e não maduro, como eu cria.”
A fábula denuncia os que, fatigando-se em tarefas inviáveis e se frustrando com elas, adiam-nas com falsos modos.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um vaqueiro vinha da aldeia, guiando a carroça,
quando ela despencou em uma funda ribanceira.
Mesmo precisando de ajuda, ele próprio ficou inerte
mas fez preces a Héracles, o único dos deuses
todos a quem prestava honras e reverências sinceras. 5
E o deus apareceu ao seu lado e falou: “Ajusta as rodas
e aguilhoa os bois. E aos deuses faze pedidos
desde que faças algo também; se não, pedirás em vão.”
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
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[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]
Um homem que já estava na meia-idade
(não era jovem e nem era um velhote)
agitava fios brancos mesclados na negra cabeleira,
ainda ocupava as folgas com amores e festins.
Amava duas mulheres, uma nova e uma velha. 5
A garota buscava vê-lo como um jovem
amante, e a velha, como companheiro de velhice.
Assim, a cada ocasião, de seus cabelos a mocinha
pelava os fios embranquecidos que encontrava,
e a velha pelava os que encontrava negros, 10
até que o puseram careca a jovem e a velha,
[sempre perdendo um fio por vez, foi ficando pelado.
Essa fábula declara isto a todos os homens:
merece compaixão quem cai nas mãos de mulheres;
sempre ganhando uma mordida por vez, ele se acaba.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]