Fedro 3.13

As abelhas e os zangões e a vespa juiz

As abelhas tinham feito seus favos no alto de um carvalho.

Os zangões preguiçosos diziam que eram deles.

O litígio foi levado ao foro, com a vespa de juiz;

Esta, uma vez que conhecia muito belamente ambos os gêneros,

propôs para as duas partes esta lei: 5

“Vosso corpo não é diferente e a cor é igual,

de modo que, com razão, o caso resultou em completa dúvida.

Mas, para que meu escrúpulo não cometa um erro por imprudência,

tomai as colmeias e vertei vossa produção nas ceras,

para que do sabor do mel e da forma do favo, 10

apareça o autor das coisas de que se trata agora”.

Os zangões recusam, às abelhas a condição agrada.

Então aquela apresentou esta sentença:

“Está claro quem não pode fazer e quem fez.

Por isso restituo às abelhas o seu fruto”. 15

Eu teria passado esta fábula em silêncio,

se os zangões não tivessem recusado o trato combinado.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 1

As abelhas e o pastor

Fábula da abelha e do pastor, a qual exorta a não se auferir ganhos desonestos.

No oco de um carvalho, as abelhas fabricavam mel. Um pastor encontrou-as casualmente e decidiu pegar uma porção do mel, mas elas, vindo daqui e dali, puseram-se a voejar em volta dele e, com seus ferrões, o fizeram recuar. “Vou embora”, disse, por fim, o pastor, “não preciso de mel, se tenho que dar de cara com abelhas.”

As más vantagens são um perigo para quem as persegue.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 31

Esopo 2

As abelhas e Zeus

Enciumadas porque os homens usavam seu mel, as abelhas foram até Zeus pedir que ele as dotasse de força para golpear com os ferrões quem chegasse perto das colmeias a fim de roubar os favos. Mas Zeus se irritou com elas por causa dessa perversidade e determinou que as abelhas, tão logo picassem alguém, perderiam o ferrão e, com ele, também a vida.

Esta fábula cairia bem para homens perversos que se conformam em sair também eles prejudicados.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 32

Esopo 116

O criador de abelhas

Uma pessoa entrou na casa de um criador de abelhas, enquanto ele estava ausente, e furtou o mel e os favos. Quando ele voltou e viu as colmeias vazias, deteve-se para examiná-las. Nisso, as abelhas, ao retornarem da coleta, surpreenderam-no ali e dispensaram-lhe um tratamento horrendo, a golpes de ferrão. Então ele lhes disse: “Ô, bichos atrozes! Deixaram impune o ladrão de seus favos mas dão ferroadas em mim, que cuido de vocês!”.

Assim, certos homens que, por inadvertência, não se previnem contra os inimigos rechaçam os amigos, tomando-os por conspiradores.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 176