Fedro 1.27

O cão, o tesouro e o abutre

{Este tema pode ser apropriado para os avarentos e para os que,

tendo nascido humildes, se esforçam por ser chamados de ricos.}

Desenterrando ossos humanos, um cão encontrou um tesouro

e, uma vez que violara os deuses Manes,

lhe foi incutida a cobiça das riquezas 5

para expiar sua culpa contra a sagrada religião.

E assim, enquanto vigiava o ouro, esqueceu-se do alimento

e morreu de fome; dizem que um abutre, pousando

sobre ele, falou: “Ó cão, jazes merecidamente,

tu, que de repente ambicionaste régias riquezas, 10

foste concebido numa encruzilhada e criado no esterco.”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 205

O leão e o javali

[A fábula mostra] Que é belo desfazer as querelas nocivas e as rivalidades, visto que elas acabam em danos para todo mundo.

No verão, quando o calor intensifica a sede, numa pequena fonte vieram beber um leão e um javali. Os dois começaram a discutir para ver quem beberia primeiro e, a partir da discussão, se animaram a travar um duelo mortal. De repente, porém, ao recuarem para tomar fôlego, viram abutres só esperando que um deles tombasse, para comê-lo. Por isso, puseram fim às hostilidades, dizendo: “É melhor nos tornarmos amigos do que banquete para abutres e corvos”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 301