Esopo 194

O lavrador e o Acaso

Um lavrador encontrou ouro na terra que cultivava e começou a oferecer coroas à Terra diariamente, como se ela é que fosse sua benfeitora. Veio, então, o Acaso e lhe disse: “Meu caro, por que você atribui à Terra as minhas dádivas, justo essas que eu lhe concedi por desejar que você ficasse rico? Se os tempos mudarem e esse ouro for gasto em outras necessidades, você não irá recriminar a Terra, e sim o Acaso!”.

A fábula nos ensina que precisamos reconhecer o benfeitor e demonstrar-lhe gratidão.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 289

Esopo 365

O viandante e o Acaso

Ao completar uma longa caminhada, um viandante, fraquejando de cansaço, deitou-se à beira de um poço e adormeceu. Estava ele quase despencando no poço, quando o Acaso parou ao lado dele e o despertou, dizendo a seguir: “Ô, camarada, se você tivesse caído, jogaria a culpa em mim, e não em seu próprio descuido!”.

Assim, muitos homens provocam a própria desgraça e depois responsabilizam os deuses.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 521