O alforje
Quando outrora Prometeu moldou os homens, pendurou neles dois alforjes, um cheio de vícios alheios e, o outro, repleto de vícios pessoais, acomodando na frente o primeiro e prendendo atrás o segundo. Disso resultou que os homens enxergam num relance os vícios dos outros, mas não notam os próprios.
Desta fábula pode servir-se uma pessoa em relação a um homem muito ocupado que não tem olhos para seus próprios afazeres, mas se ocupa daqueles que não lhe dizem respeito.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 48