Esopo 13

A andorinha e a cobra

Uma andorinha fez seu ninho num tribunal e saiu voando; nisso, uma cobra rastejou até lá e devorou os filhotes. Quando retornou e encontrou vazio o ninho, a andorinha pôs-se a gemer desesperadamente. Então outra andorinha tentou consolá-la, dizendo que ela não era a única a quem acontecera perder os filhos. E ela respondeu: “Mas choro não tanto por meus filhos quanto por ter sofrido agressão justamente neste lugar, onde os injustiçados encontram amparo”.

A fábula mostra que muitas vezes as desgraças se tornam mais cruéis para quem as sofre, quando partem de quem menos se espera.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 49

Esopo 14

A andorinha e a gralha

Uma andorinha competia em beleza com uma gralha, quando esta lhe retrucou, dizendo: “Mas sua beleza floresce na estação da primavera, enquanto meu corpo continua resistente também no inverno!”.

A fábula mostra que um corpo resistente é melhor que uma bela aparência.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 50

Esopo 15

A andorinha e as aves

Fazia pouco tempo que o visgo havia brotado, quando uma andorinha, percebendo o perigo iminente para os animais alados, reuniu todas as aves e aconselhou-as a podar de preferência as árvores produtoras de visgo. E, caso isso não lhes fosse possível, elas deveriam recorrer aos homens e suplicar-lhes que não usassem o visgo para apanhá-las. As aves, porém, riram da andorinha, como se estivesse dizendo bobagens. Então ela se apresentou pessoalmente aos homens como suplicante. E eles a acolheram devido à sua inteligência e dividiram com ela suas moradias. Assim, aconteceu que, enquanto as demais aves silvestres são devoradas pelos homens, só a andorinha é protegida por eles e não tem medo de fazer ninho em suas casas.

A fábula mostra que os que preveem o futuro decerto evitam os perigos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 51

Esopo 16

A andorinha envaidecida e a gralha

[A fábula mostra] Que os gabolas constroem, com suas falas mentirosas, recriminações para si.

A andorinha disse para a gralha: “Eu sou virgem, ateniense, princesa, filha do rei de Atenas”. E em acréscimo falou também de Tereu, do abuso sofrido e da mutilação de sua língua. Então a gralha lhe disse: “Se, apesar de mutilada, você tagarela tanto assim, o que não faria se tivesse língua?”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 52

Esopo 139

A galinha e a andorinha

Uma galinha encontrou ovos de serpente e, depois de chocá-los com cuidado, eles se abriram. Uma andorinha, ao avistá-la, disse: “Sua tola, para que criar esses animais que, depois de crescidos, vão praticar o mal, começando primeiramente por você?”.

Assim, a perversidade é indomável, ainda que receba muitíssimos benefícios.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 210

Esopo 187

O jovem pródigo e a andorinha

Um jovem pródigo esbanjou seu patrimônio, tendo-lhe sobrado um único manto. E quando viu uma andorinha, que estava chegando fora de época, ele pegou o manto e o vendeu também, presumindo que já era verão e que não mais precisaria dele. Mais tarde, porém, sobreveio o inverno e fez um frio rigoroso. E o jovem, enquanto perambulava, viu a andorinha morta, entanguida, e disse para ela: “Você se ferrou, minha cara, e me ferrou também!”.

A fábula mostra que tudo o que é feito fora de época vem a ser movediço.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 279

Esopo 343

O rouxinol e a andorinha

Uma andorinha aconselhava um rouxinol a viver sob o mesmo teto, na mesma casa que os homens, como ela própria fazia.* Então, ele disse: “Não quero manter viva na lembrança a dor de meus antigos infortúnios. É por isso que vivo em lugares desertos”.

[A fábula mostra] Que aquele que se afligiu com alguma fatalidade quer evitar até o local onde se produziu a aflição.

* A lembrança de antigos infortúnios que o rouxinol menciona são os episódios do mito de Tereu, Procne (rouxinol) e Filomela (andorinha). Sem a referência mítica, a fábula pode perder o sentido. [n.t.]

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 482