Esopo 164

O homem contador de lorotas

Um atleta do pentatlo, que era constantemente tachado de fracote pelos cidadãos, certa vez se ausentou da cidade e, depois de algum tempo, retornou, vangloriando-se das muitas proezas que havia praticado em outros lugares. Contava que em Rodes dera um salto tão alto como nenhum vencedor da Olimpíada tinha conseguido dar, e afirmava que podia apresentar, como testemunhas de tal façanha, as pessoas que a presenciaram, quando elas viessem à cidade. Então um dos presentes retrucou-lhe: “Mas, se isso é mesmo verdade, você não precisa de testemunhas, meu caro. Faça de conta que Rodes é aqui e dê o salto!”.

A fábula mostra que é supérfluo todo discurso a respeito de uma ideia que se pode demonstrar com provas concretas.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 244

Esopo 311

A pulga e o atleta

Certa vez uma pulga, num salto, pousou no dedo do pé de um atleta que se exibia num desfile. Saltitante, a pulga sapecou-lhe uma mordida. O atleta se enfureceu e preparou as unhas, pronto para esmagar a pulga, quando ela, num impulso, deu o salto costumeiro e desapareceu, escapando da morte. Ele, então, se lamentou, dizendo: “Ó Héracles, se a coisa é assim contra uma pulga, que amparo terei de você contra meus adversários?”.

Pois é. Portanto, a fábula nos ensina que não devemos de pronto invocar os deuses nas questões insignificantes e inofensivas, mas só nas emergências.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 435