Esopo 15

A andorinha e as aves

Fazia pouco tempo que o visgo havia brotado, quando uma andorinha, percebendo o perigo iminente para os animais alados, reuniu todas as aves e aconselhou-as a podar de preferência as árvores produtoras de visgo. E, caso isso não lhes fosse possível, elas deveriam recorrer aos homens e suplicar-lhes que não usassem o visgo para apanhá-las. As aves, porém, riram da andorinha, como se estivesse dizendo bobagens. Então ela se apresentou pessoalmente aos homens como suplicante. E eles a acolheram devido à sua inteligência e dividiram com ela suas moradias. Assim, aconteceu que, enquanto as demais aves silvestres são devoradas pelos homens, só a andorinha é protegida por eles e não tem medo de fazer ninho em suas casas.

A fábula mostra que os que preveem o futuro decerto evitam os perigos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 51

Esopo 296

O pavão e o gaio

Estavam as aves deliberando a respeito do poder real, quando um pavão achou que merecia ser aclamado rei por causa de sua formosura. E, como as aves estavam dispostas a votar nele, um gaio disse: “Mas se você for o rei, como vai nos socorrer se uma águia vier atrás de nós?”.

A fábula mostra que os soberanos devem exibir como adorno não a beleza, mas o poder.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 419