Esopo 26

A bezerra e o boi

Ao ver um boi trabalhando, uma bezerra pôs-se a lamentar a fadiga que ele experimentava. Mas, quando chegou o dia de uma festa religiosa, liberaram o boi e dominaram a bezerra para ser degolada. Ao ver isso, o boi sorriu e lhe disse: “É por isso que você não trabalhava, bezerra, pois seu futuro era ser imolada muito cedo!”.

A fábula mostra que o perigo ronda o desocupado.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 65

Esopo 27

O bezerrinho e a corça

A fábula mostra que nenhum elogio fortalece as pessoas de natureza covarde, mesmo que exibam um corpo robusto e de grande porte.

Certa vez um bezerrinho disse à corça: “Você, de tamanho, é superior aos cães e leva vantagem sobre eles em velocidade; e também tem chifres para defender-se. Por que então tem tanto medo dos cães?”. Ela respondeu: “Sei, sim, que tenho tudo isso, mas, se ouço um latido, meu juízo se turva e eu só penso em fugir!”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 66

Esopo 356

O vaqueiro que perdeu um bezerro e o leão

Enquanto pastoreava um rebanho de touros, um vaqueiro perdeu um bezerro. Após ter percorrido os arredores sem tê-lo encontrado, prometeu a Zeus que imolaria um cabrito, se localizasse o ladrão. Ao chegar a um bosque de carvalhos, avistou um leão devorando o bezerro. Apavorado, ergueu as mãos para o céu e disse: “Zeus soberano, antes eu lhe havia prometido imolar um cabrito se encontrasse o ladrão, mas agora prometo imolar um touro, se eu me safar das garras desse ladrão!”.

Esta fábula pode ser dita a propósito de homens que, quando estão desventurados em situações embaraçosas, rezam para encontrar uma saída, mas assim que a encontram procuram evitá-la.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 511