Esopo 78

A camela que defecou no rio

Uma camela defecou enquanto estava atravessando um rio de forte correnteza, e logo em seguida viu o excremento passar à sua frente, devido à rapidez da correnteza. Então ela disse: “O que é isso? Já estou vendo deslizar à minha frente o que estava atrás de mim!”.

A fábula cai bem para uma cidade onde os ínfimos e os imbecis dominam em lugar dos primordiais e dos sensatos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 132

Esopo 79

A camela que desejava ter chifres

Ao ver um touro orgulhoso de seus chifres, uma camela ficou com inveja e também desejou conseguir uns iguais. Por isso, foi a Zeus pedir que lhe concedesse chifres. Irritado com ela, que, não satisfeita com o tamanho de seu corpo e sua força, ainda ambicionava qualidades adicionais, Zeus não só não lhe acrescentou os chifres como ainda lhe retirou um pedaço das orelhas.

Assim, muitas pessoas cúpidas que olham com inveja os bens alheios não notam que perdem até o que possuem.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 133

Esopo 80

A camela vista pela primeira vez

Quando uma camela foi vista pela primeira vez, os homens, atemorizados e estarrecidos com o tamanho dela, puseram-se em fuga. Mas, com o passar do tempo, notaram sua mansidão e se tranquilizaram a ponto de chegar perto dela. E, como aos poucos foram percebendo que esse animal não era raivoso, chegaram a tal ponto de desconsideração que até um cabresto puseram nele e o entregaram aos garotos para conduzi-lo.

A fábula mostra que o costume suaviza bastante as situações aterradoras.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 134

Esopo 246

O macaco e a camela dançarinos

Numa reunião de animais irracionais, um macaco se levantou e se pôs a dançar. E, como estava agradando e todos apontavam para ele, uma camela ficou enciumada e quis alcançar o mesmo sucesso. Então, levantou-se e tentou dançar também. Mas, como ela executava movimentos extravagantes, os animais perderam a paciência e a expulsaram a porretadas.

A fábula é oportuna para os invejosos que rivalizam com os superiores e, por conseguinte, se dão mal.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 354