Esopo 83

O caranguejo e sua mãe

A mãe do caranguejo estava lhe dizendo para não caminhar de lado nem esfregar as costas na rocha úmida. Então ele replicou: “Mãe, você, que está tentando me ensinar, trate de caminhar direito, que eu vou vendo e imitando!”.

Que convém àqueles [A fábula mostra] que criticam viver e andar direito, e só então dar lições de comportamento.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 138

Esopo 84

O caranguejo e a raposa

Um caranguejo saiu do mar e subiu até a praia, onde passou a viver sozinho. Uma raposa faminta, assim que o viu, foi correndo agarrá-lo, pois precisava alimentar-se. E, prestes a ser engolido, ele disse: “Mas é bem feito para mim, pois eu era um animal marinho e quis tornar-me um terrestre”.

Assim, também, os homens que abandonam as ocupações pessoais para empreender as que não lhes dizem respeito afligem-se com razão.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 139

Esopo 103

A cobra e o caranguejo

Uma cobra e um caranguejo habitavam o mesmo lugar. Mas, enquanto ele se relacionava com a cobra de modo franco e bondoso, ela era sempre tortuosa e perversa. O caranguejo vivia incentivando a cobra a imitar seu comportamento e tratá-lo com retidão, mas ela não se deixava persuadir. Por isso, o caranguejo perdeu a paciência e, ao espreitá-la a dormir, deu um bote no pescoço e matou-a. E disse, ao vê-la estirada: “Não é agora depois de morta, minha cara, que você deve ficar reta, mas sim quando eu a incentivava e você não dava atenção!”.

Esta fábula pode ser propósito daqueles dita, com razão, a homens que em vida são perversos para com amigos, mas, depois de mortos, prestam benefícios a eles.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 160