Fedro 5.3

O careca e a mosca

Uma mosca picou a cabeça pelada de um careca;

Tentando esmagá-la, deu em si mesmo um forte tapa.

Então ela, zombando: “Quiseste vingar com a morte

a picada de um pequenino inseto; o que farás a ti,

que ao dano acrescentaste a afronta?” 5

Respondeu: “Comigo eu facilmente me reconcilio,

porque sei que não foi minha intenção causar-me dano.

Mas a ti, animal maldito de uma espécie desprezível,

que te deleitas em beber sangue humano,

eu desejaria matar com um incômodo ainda maior”. 10

Este enredo ensina a ser mais digno de perdão

quem erra sem querer. Já aquele que causa dano conscientemente

[julgo ser digno de qualquer castigo.]

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 5.6

O careca e um certo sujeito igualmente desprovido de cabelos.

Um careca encontrou casualmente numa esquina um pente.

Aproximou-se um outro igualmente desprovido de cabelos.

“Ei,” diz, “é nosso, seja qual for o lucro!”

Aquele mostrou o achado e ao mesmo tempo acrescentou:

“A vontade dos deuses nos favorece; mas por um fado odioso, 5

encontrei, como dizem, carvão em vez de tesouro”.

A queixa convém a este que a esperança enganou.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 117

Diógenes e o careca

Diógenes, o filósofo cínico, ao ser insultado por um careca, revidou-lhe: “Eu não insulto você! Longe de mim tal coisa! Só estou louvando seus cabelos, que abandonaram uma cabeça miserável!”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 179