Bábrio 1.36

O carvalho e o bambu

Um vendaval arrancou de um monte um carvalho pela raiz

e deu-o a um rio. Este ia arrastando entre a voragem

a planta gigantesca, dos tempos dos homens de outrora.

Havia em cada margem um denso bambuzal

que bebia da barranca do rio a água ligeira. 5

O assombro tomou o carvalho: como é que o outro,

por demais leve e frágil, não tinha sido abatido,

enquanto ele, tamanho carvalho, se desenraizara?

Com sabedoria o bambu falou: “Não fiques chocado!

Lutando contra as rajadas de vento, foste vencido; 10

já nós nos vergamos, devido ao caráter maleável,

mesmo que um vento fraco nos agite no topo”.

     [Assim disse o bambu. E a fábula, sim, deixa claro

que não se deve lutar contra os poderosos, mas recuar.]

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Esopo 88

O carvalho e o cálamo

Um carvalho e um cálamo disputavam para ver quem tinha mais força. Quando soprou um vento violento, o cálamo se dobrou, curvando-se às rajadas, e escapou ileso. Já o carvalho, que tentou resistir aos ventos, foi arrancado pela raiz.

A fábula mostra que não se deve competir com os mais fortes nem enfrentá-los.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 143

Esopo 89

Os carvalhos e Zeus

Os carvalhos se queixavam a Zeus, dizendo: “Foi à toa que viemos ao mundo, pois, mais que todas as plantas, suportamos o abate violento!”. E Zeus: “Pois são vocês mesmos os responsáveis por se acharem em tal desventura. Se não fornecessem os cabos de machados e não tivessem utilidade para marceneiros e camponeses, nenhum machado iria abatê-los!”.

Certas pessoas que são responsáveis pelos próprios males, recriminam tolamente a divindade.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 144