Fedro 4.1

O burro e os sacerdotes de Cibele

Quem nasceu infeliz, não só passa a vida triste,

mas também, depois da morte,

o persegue a dura desgraça do fado.

Os sacerdotes de Cibele costumavam conduzir de um lado

para outro para suas esmolas um burro que levava as cargas. 5

Quando esse acabou morrendo do trabalho e das pancadas,

tiraram  seu couro e fizeram tambores para si.

Mais tarde, indagados por um certo sujeito o que eles

tinham feito do queridinho deles, falaram deste modo:

“Ele achava que após a morte estaria seguro: 10

eis que outros golpes se acumulam sobre o morto!”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 3.17

As árvores sob a tutela dos deuses

Outrora os deuses escolheram as árvores

que queriam que estivessem sob sua tutela. O carvalho

agradou a Júpiter, o mirto a Vênus, a Febo o loureiro,

o pinheiro a Cibele, o alto choupo a Hércules.

Minerva, admirando-se, perguntou por que adotavam 5

as estéreis. Júpiter disse o motivo:

“Para que não pareçamos vender nossa honra pelo fruto”.

“Mas, por hércules, alguém contará o que quiser,

a mim a oliveira me é mais agradável por causa de seu fruto”.

Então o pai dos deuses e criador dos homens falou assim: 10

” Ó filha, és com razão chamada de sábia por todos.

Se o que fazemos não é útil, tola é a glória”.

A fabulazinha aconselha a nada fazer que não tenha proveito.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.