Esopo 100

O cisne e o dono

Dizem que os cisnes cantam na hora de morrer. Foi então que uma pessoa encontrou casualmente um cisne à venda e comprou-o, pois tinha ouvido dizer que era uma ave muito melodiosa. Certa vez, quando recepcionava convivas, aproximou-se do cisne e pediu-lhe que cantasse enquanto eles bebiam. Nessa ocasião, porém, o cisne ficou em silêncio e só foi entoar seus prantos muito depois, quando percebeu que ia morrer. Ao ouvi-lo, o dono disse: “Mas se não há meio de um cisne cantar a não ser que esteja para morrer, então eu é que fui bobo na hora em que lhe fiz um pedido, em vez de ter matado você”.

Assim, alguns homens fazem por mal o que por bem não querem aceitar.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 157

Esopo 101

O cisne levado em lugar do ganso

Fábula do ganso e do cisne, a qual estimula os jovens a refletir.

Um homem abastado resolveu criar um ganso junto com um cisne, visando a fins diferentes: havia comprado um para cantar e o outro para levar à mesa. Mas já era noite quando o ganso precisava morrer pelos propósitos para os quais estava sendo criado, e o momento não ajudava o dono a distinguir um do outro. O cisne é levado em lugar do ganso, mas com um canto ele revela sua natureza e escapa da morte.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 158

Esopo 114

O corvo e o cisne

Fábula do corvo, a qual exorta a subordinar-se à natureza.

Um corvo viu um cisne e sentiu inveja de sua cor. Supondo que ele era daquela cor devido às águas em que se banhava, abandonou os altares onde encontrava alimento e passou a viver em lagos e rios. Com o banho, o corvo não mudou de cor, mas, privando-se de alimento, acabou morrendo.

O regime de vida não sabe mudar a natureza.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 174

Esopo 260

Os milhafres e os cisnes

Fábula dos milhafres e dos cisnes, que exorta a não se tentar imitar o descabido.

Tal qual o canto dos cisnes era aquele que a natureza, nos primórdios, havia destinado aos milhafres. Mas eles, quando ouviram os relinchos dos cavalos, caíram de amores por aquela voz. E, como se puseram a tentar imitá-la, acabaram ficando sem aquela que possuíam, pois deixaram de exercitá-la. Portanto, não aprenderam a relinchar e desaprenderam de cantar.

Leva à perda daquilo que já se possui quando se imita aquilo que é descabido.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 371