Esopo 165

O homem covarde e os corvos

Estava um homem covarde saindo para a guerra, quando corvos começaram a crocitar. Ele, então, colocou as armas no chão e permaneceu quieto. Em seguida, pegou as armas e de novo ia partindo, quando eles tornaram a crocitar. O homem parou e, por fim, disse: “Vocês podem ficar gritando o mais alto que puderem, mas minha carne é que não vão saborear!”.

A fábula diz respeito aos covardes em demasia.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 245

Esopo 254

O menino e o corvo

Uma mulher foi consultar o oráculo a respeito de seu filho, que ainda era um bebê, e os adivinhos lhe predisseram que ele iria ser morto por um corvo. Apavorada, ela preparou uma arca bem grande e nela trancafiou o menino, atentando para que ele não fosse morto por um corvo. E assim foi levando a vida, abrindo a arca nas horas certas, para lhe oferecer o alimento necessário. Mas, certa vez, ela abriu a arca e, quando foi recolocar a tampa, o menino, inesperadamente, pôs a cabeça para fora. E foi assim que o ferrolho da tampa, o qual era em forma de corvo, despencou sobre a cabeça dele, matando-o.

A fábula mostra que o desígnio do destino é irrevogável.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 364

Esopo 367

Os viandantes e o corvo

Um corvo que tinha um olho estropiado foi ao encontro de algumas pessoas que estavam viajando a negócios. Então, elas se detiveram e uma delas propôs que retornassem, pois era isso o que indicava o presságio. Mas outra replicou: “E como é que esse aí pode predizer nosso futuro, se ele não previu nem a própria mutilação, a fim de precaver-se?”.

Assim, também, os homens que são desavisados em seus assuntos particulares também são mal cotados para aconselhar o próximo.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 523