Esopo 115

A cotovia

Uma cotovia, apanhada numa armadilha, dizia lamuriosa: “Ai de mim, sou um pássaro infeliz e digno de pena! Não tirei de ninguém nem ouro, nem prata, nem outra riqueza qualquer. Mas foi uma migalha de pão, pequenina, que me trouxe a morte”.

A fábula [é oportuna] para os que enfrentam grande perigo por causa de um ganho mesquinho.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 175

Esopo 284

O passarinheiro e a cotovia

Um passarinheiro montou armadilhas para pássaros. Então uma cotovia, que o observava, perguntou o que ele estava fazendo. Ele respondeu que estava construindo uma cidade e, em seguida, afastou-se dali. E a cotovia, que dera crédito às palavras do homem, aproximou-se da armadilha e, ao comer a isca, sem perceber ficou presa no laço. Então ela disse ao passarinheiro, que veio correndo pegá-la: “Mas se você, meu caro, construir cidades como essa, não irá encontrar muitos moradores!”.

A fábula mostra que casas e cidades se esvaziam mais ainda quando os administradores são insuportáveis.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 405