O homem malvado
Um homem malvado apostou com uma pessoa que iria lhe provar que o oráculo de Delfos era falso. No dia marcado, pegou um pardalzinho, encobriu-o com o manto e foi ao santuário. Em pé, diante do oráculo, perguntou-lhe se o que estava segurando nas mãos era uma coisa viva ou sem vida. Sua intenção era, caso ele dissesse “sem vida”, mostrar o pardalzinho vivo, e, caso dissesse “viva”, apresentá-lo morto, depois de asfixiá-lo. E o deus, ciente de sua intenção velhaca, respondeu: “Pare com isso, meu caro! Só depende de você se o que está trazendo é vivo ou morto!”.
A fábula mostra que a divindade é incontestável.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 252