O Juramento
Um homem, que recebera de um amigo um depó- sito em confiança, maquinou um plano para fraudá-lo. E, quando o amigo ia chamá-lo para prestar juramento, ele, precavendo-se, se pôs a caminho do campo. Já nas portas da cidade, viu saindo um homem manco e lhe perguntou quem era e para onde ia. Tendo ele respondido que era o Juramento em pessoa e que ia ao encontro dos ímpios, o depositário lhe perguntou, em seguida, de quanto em quanto tempo ele costumava vir às cidades. “A cada quarenta anos, às vezes trinta”, respondeu ele. E o outro, sem hesitar, jurou no dia seguinte que não havia recebido o tal depósito. Mas, depois, ao deparar com o Juramento e ser levado por ele à beira de um abismo, começou a recriminá-lo por ele ter dito que estaria de volta depois de trinta anos, mas na realidade não lhe dera um único dia de sossego. Então, o Juramento lhe respondeu: “Mas esteja bem certo de que, quando alguém está para molestar-me, eu costumo voltar no mesmo dia”.
A fábula mostra que a vingança divina chega sem dia marcado.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 280