Esopo 117

Diógenes e o careca

Diógenes, o filósofo cínico, ao ser insultado por um careca, revidou-lhe: “Eu não insulto você! Longe de mim tal coisa! Só estou louvando seus cabelos, que abandonaram uma cabeça miserável!”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 179

Esopo 118

Diógenes viandante

Diógenes, o filósofo cínico, seguia por uma estrada, quando chegou à margem de um rio caudaloso e ali parou, sem saber o que fazer. Mas um homem que estava acostumado a atravessar a vau notou seu embaraço, aproximou-se e, com amabilidade, carregou-o para a outra margem. E lá ele ficou parado, condenando sua própria indigência, que o impedia de recompensar o benefício recebido. Estava ele ainda pensando nisso, quando o homem, ao ver outro viandante impossibilitado de atravessar o rio, veio correndo e levou-o para o outro lado. Diógenes, então, chegou perto dele e disse: “Eu já não lhe tenho mais gratidão pelo que ocorreu, pois estou vendo que você faz isso não por opção, mas por mania”.

A fábula mostra que os que beneficiam tanto os imprestáveis como as pessoas decentes merecem o rótulo de insensatos, e não de prestativos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 180