Esopo 123

A escrava feia e Afrodite

Um patrão era amante de uma escrava feia e malandra. Com as moedas de ouro que ganhava, ela se enfeitava de maneira magnífica e tentava competir com a patroa. E a todo momento oferecia sacrifícios a Afrodite, suplicando-lhe que fizesse dela uma mulher sedutora. Mas a deusa lhe apareceu em sonho e disse que não tinha gosto em torná-la bela. “Ao contrário”, continuou, “estou chateada e muito zangada com aquele homem que acha você bonita!”

[A fábula mostra] Que as pessoas que ficam ricas por meios ilícitos não devem ufanar-se, visto que, no que respeita à vergonha, elas são disformes e vis.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 188