Esopo 3

O abeto e o espinheiro

Competiam entre si um abeto e um espinheiro. O abeto, para se vangloriar, disse: “Sou belo, alto, de bom porte e útil na construção de navios e de coberturas de templos. E você ainda tenta medir-se comigo?”. Ao que o espinheiro respondeu: “Se você se lembrar dos machados e dos serrotes que te abatem, também vai preferir ser um espinheiro”.

[A fábula mostra] Que na vida as pessoas não devem se deixar tomar pelo orgulho, pois a vida dos simples é que é livre de ameaças.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 34

Esopo 329

A raposa e o espinheiro

Uma raposa estava tentando pular uma sebe, quando escapou de um escorregão apoiando-se num espinheiro. Ela sofreu arranhões na planta das patas e, vendo-se naquela terrível situação, culpou o espinheiro; afinal, ao refugiar-se nele em busca de socorro, recebera um tratamento pior do que aquele que ela pretendera evitar. E o espinheiro retrucou, dizendo: “Mas você ficou louca? Foi querer se agarrar justamente em mim, que tenho o costume de me agarrar em tudo!”.

A fábula mostra que assim, também, são tolos os homens que recorrem a protetores que nasceram com vocação para a injustiça.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 466

Esopo 341

A romãzeira, a macieira e o espinheiro

A romãzeira e a macieira estavam discutindo a respeito da excelência de seus frutos. Como a discussão estava muito inflamada, um espinheiro, que de uma sebe ao lado as ouvia, disse: “Amigas, vamos acabar de uma vez por todas com esta nossa discussão!”.

Assim, em meio às querelas entre os melhores, até os que não têm mérito nenhum tentam dar a impressão de ser alguém.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 480