Fedro 4.8

A serpente para o ferreiro

Quem com dente maldoso ataca a um mais mordaz,

sinta-se representado neste enredo.

Uma víbora veio à oficina de um ferreiro.

Ela, vasculhando se havia alguma coisa de comer,

mordeu uma lima. Esta, resistente, em resposta 5

diz: “Por que, sua tola, buscas ferir-me com teu dente,

a mim, que estou habituada a roer todo tipo de ferro?”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 128

O ferreiro e o cão

Um cão, que matava o tempo na oficina de ferreiros, caía no sono enquanto eles trabalhavam. Mas quando eles se sentavam para comer o cão ficava desperto e ia todo alegre se encostar nos donos. Eles, então, lhe disseram: “Como é que você não acorda com o barulho dos malhos tão pesados, mas imediatamente desperta ao mais leve ruído de nossos molares?”.

Esta fábula mostra imediatamente que também os homens desatentos prestam atenção nas coisas de que esperam tirar proveito, mas permanecem completamente apáticos em relação àquelas que não lhes agradam.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 195