Esopo 138

A gaivota e o milhafre

Uma gaivota tentou engolir um peixe, mas sua garganta se rompeu e ela acabou jazendo morta numa praia. Então um milhafre a avistou e disse: “Bem feito para você, que nasceu alada, mas tentava levar a vida no mar!”.

Assim, aqueles que abandonam os costumes domésticos e se lançam a negócios que não lhes dizem respeito sofrem com razão.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 209

Esopo 262

O morcego, a sarça e a gaivota

Um morcego, uma sarça e uma gaivota formaram uma sociedade e decidiram dedicar-se ao comércio. Assim, o morcego tomou dinheiro emprestado e depositou-o num fundo comum; a sarça trouxe vestes grudadas em si e a terceira sócia, a gaivota, comprou cobre e embarcou-o num navio. E então puseram-se ao mar. Mas veio uma violenta tempestade e o navio foi a pique. E eles, embora tivessem perdido tudo, alcançaram a terra, sãos e salvos. Desde então, a gaivota mergulha fundo, presumindo que um dia encontrará o cobre. O morcego, por sua vez, não aparece de dia, com medo dos credores, e só sai à noite para caçar. E a sarça vive à procura de suas vestes e, para tentar reconhecê-las, se gruda nos mantos de quem passa perto dela.

A fábula mostra que damos mais importância para as coisas que estão vinculadas a nossos fracassos anteriores.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 373