Esopo 21

O atum e o golfinho

Um atum estava sendo perseguido por um golfinho e escapava com muito estardalhaço. Prestes a ser apanhado, sem perceber lançou-se com um fortíssimo impulso numa praia, e o golfinho, impelido pelo mesmo impulso, projetou-se com ele. O atum se voltou e, ao ver o golfinho dando o último suspiro, disse: “Mas a mim, pelo menos, a morte não é mais penosa, pois estou vendo que junto comigo também está morrendo o causador de minha morte”.

A fábula mostra que os homens suportam com facilidade as desgraças, quando veem que os responsáveis por elas também estão padecendo.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 58

Esopo 148

O golfinho e o macaco

Os navegantes têm o costume de levar cães malteses e macacos para distraí-los na viagem. Assim, uma pessoa que saía para navegar, trouxe consigo um macaco. Mas, quando chegaram perto do Súnion, o promontório da Ática, desabou uma violenta tempestade. O navio naufragou e, como todos se puseram a nadar, o macaco também mergulhou. Então um golfinho o avistou e, julgando que ele fosse um homem, colocou-se sob ele e, após emergir, carregou-o pelo mar. Quando estavam próximos do Pireu, o porto dos atenienses, o golfinho perguntou ao macaco se ele era ateniense de origem. O macaco respondeu que sim, e que era de família ilustre. Depois o golfinho perguntou-lhe se também conhecia o Pireu. E o macaco, achando que ele estava se referindo a um homem, respondeu que sim, e disse que o Pireu era seu amigo íntimo. Então o golfinho, indignado com esse disparate, deu um mergulho e o afogou.

A fábula é oportuna para homens mentirosos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 224

Esopo 149

Os golfinhos e o gobião

Golfinhos e baleias estavam engalfinhados numa rixa que se mantinha violenta por muito tempo, quando veio à tona um gobião e tentou apaziguá-los. Então, um dos golfinhos lhe disse: “Mas para nós é mais tolerável nos destruirmos mutuamente numa luta do que ter você como mediador”.

Assim, certos homens insignificantes, toda vez que pegam um tumulto, acham que são importantes.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 226

Esopo 204

O leão e o golfinho

Enquanto zanzava por uma praia, um leão viu assomar fora da água a cabeça de um golfinho e, então, convidou-o para uma aliança de guerra, dizendo que era uma combinação perfeita eles serem amigos e aliados, pois, enquanto um era o rei dos animais marinhos, ele próprio reinava sobre os animais terrestres. De bom grado, o golfinho concordou. E o leão, que havia muito tempo estava em guerra contra um touro selvagem, chamou o golfinho em seu socorro. E como ele, mesmo querendo, não conseguia sair do mar, o leão o acusou de traidor. O golfinho, então, respondeu: “Não faça censuras a mim, mas à natureza, pois foi ela que, ao me fazer marinho, não me deixa andar em terra firme”.

Pois é. Portanto, também nós, que selamos pactos de amizade, devemos escolher como aliados aqueles que possam, nos perigos, estar junto de nós.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 299