Fedro 1.8

O lobo e a grua

Quem espera dos malvados a recompensa de um serviço prestado,

erra duas vezes: primeiro, porque ajuda os que não merecem;

segundo, porque já não pode escapar sem dano.

Como o osso devorado ficara enroscado na garganta de um lobo,

este, vencido por intensa dor, começou a tentar uns e outros 5

com uma recompensa, para que lhe extraíssem aquele mal.

Finalmente uma grua foi persuadida pelo juramento,

e, confiando à goela dele a longura de seu pescoço,

fez a perigosa operação no lobo.

Como reclamasse o prêmio combinado pelo serviço: 10

“És ingrata”, disse o lobo, “tu que tiraste a cabeça

intacta de minha boca e reclamas uma recompensa”.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.