Bábrio 1.20

Héracles e o vaqueiro

Um vaqueiro vinha da aldeia, guiando a carroça,

quando ela despencou em uma funda ribanceira.

Mesmo precisando de ajuda, ele próprio ficou inerte

mas fez preces a Héracles, o único dos deuses

todos a quem prestava honras e reverências sinceras. 5

E o deus apareceu ao seu lado e falou: “Ajusta as rodas

e aguilhoa os bois. E aos deuses faze pedidos

desde que faças algo também; se não, pedirás em vão.”

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Esopo 86

O carreiro e Héracles

Um carreiro guiava a carroça para a aldeia, quando ela despencou num barranco fundo. Ele, em vez de acudir, ficou parado, inerte, pondo-se a rezar a Héracles somente, dos deuses todos o que ele mais honrava. Vem o deus, então, e lhe diz: Ajeite as rodas, aguilhoe os bois e reze, sim, aos deuses, mas se você não ajudar, é reza à toa!”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 141

Esopo 154

Héracles e Atena

Héracles seguia por um caminho estreito, quando viu no chão uma coisa parecida com maçã e tentou espatifá-la. Ao ver, no entanto, que ela dobrara de tamanho, começou a pisoteá-la mais ainda e a bater nela com a clava. Mas a coisa se estufou e, volumosa, bloqueou o caminho. Então, Héracles largou a clava e ficou parado, tomado de assombro. Nisso, a deusa Atena apareceu e disse: “Continue parado, meu irmão! Essa coisa aí é a discórdia e o amor da vitória. Se a deixarem em paz, ela permanece do jeito que era no início, mas, em meio a lutas, se avoluma assim”.

[A fábula mostra] Que está claro para todos que os combates e as discórdias são causas de grande dano.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 233

Esopo 155

Héracles e Pluto

Depois que se tornou uma divindade, Héracles foi acolhido à mesa junto de Zeus e lá foi saudando os deuses, um por um, com muita cordialidade. Mas de Pluto, que chegou por último, ele se esquivou, abaixando a cabeça. Zeus estranhou o fato e perguntou-lhe por que razão havia cumprimentado, com prazer, todos os deuses, mas olhara de soslaio para o deus da riqueza. Então ele disse: “Eu olho assim para ele porque, no tempo em que eu estava entre os homens, eu o via a maior parte das vezes frequentando os perversos”.

A fábula poderia ser contada a propósito de um homem abastado de sorte, mas perverso de caráter.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 234

Esopo 179

Os homens que discutiam a respeito dos deuses

Dois homens discutiam para saber qual dos deuses era superior, Teseu ou Héracles. Mas os deuses, irritados com eles, se vingaram individualmente sobre suas respectivas aldeias.

[A fábula mostra] Que a discórdia dos subordinados instiga os senhores a se irritar contra os súditos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 263

Esopo 311

A pulga e o atleta

Certa vez uma pulga, num salto, pousou no dedo do pé de um atleta que se exibia num desfile. Saltitante, a pulga sapecou-lhe uma mordida. O atleta se enfureceu e preparou as unhas, pronto para esmagar a pulga, quando ela, num impulso, deu o salto costumeiro e desapareceu, escapando da morte. Ele, então, se lamentou, dizendo: “Ó Héracles, se a coisa é assim contra uma pulga, que amparo terei de você contra meus adversários?”.

Pois é. Portanto, a fábula nos ensina que não devemos de pronto invocar os deuses nas questões insignificantes e inofensivas, mas só nas emergências.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 435