Fedro 5.4

O burro e o porquinho.

Após ter imolado um cachaço ao venerável Hércules,

a quem devia uma promessa por sua salvação, um sujeito

ordenou que fosse posto ao burrinho as sobras da cevada.

Este, tendo-as rejeitado, falou assim:

“Com todo prazer eu desejaria essa comida, 5

se quem foi alimentado com ela não tivesse sido degolado”.

Dissuadido pela reflexão desta fábula

eu sempre evitei o lucro perigoso.

Mas dizes: “Os que roubaram riqueza, as têm”.

Eia, contemos os que, depois de presos, morreram: 10

descobrirás que é maior a turma dos punidos.

A temeridade é um bem para poucos e um mal para muitos.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 4.12

Que as riquezas são más

As riquezas são com razão odiosas para um homem de valor,

porque uma arca rica impede a verdadeira glória.

Hércules, recebido no céu por causa de seu valor,

como saudasse todos os deuses que o cumprimentavam,

chegando Pluto, que é filho da Fortuna, 5

desviou dele os olhos. O Pai quis saber o motivo.

“Odeio-o”, diz, “porque ele é amigo dos maus

e, ao mesmo tempo, tudo corrompe com o lucro oferecido”.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 3.17

As árvores sob a tutela dos deuses

Outrora os deuses escolheram as árvores

que queriam que estivessem sob sua tutela. O carvalho

agradou a Júpiter, o mirto a Vênus, a Febo o loureiro,

o pinheiro a Cibele, o alto choupo a Hércules.

Minerva, admirando-se, perguntou por que adotavam 5

as estéreis. Júpiter disse o motivo:

“Para que não pareçamos vender nossa honra pelo fruto”.

“Mas, por hércules, alguém contará o que quiser,

a mim a oliveira me é mais agradável por causa de seu fruto”.

Então o pai dos deuses e criador dos homens falou assim: 10

” Ó filha, és com razão chamada de sábia por todos.

Se o que fazemos não é útil, tola é a glória”.

A fabulazinha aconselha a nada fazer que não tenha proveito.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.