Esopo 359

O vendedor de estátuas

Um homem fabricou um Hermes de madeira e levou-o ao mercado para vender. Como nenhum comprador se aproximava, ele, querendo atrair alguns, se pôs a gritar que estava vendendo um deus benfeitor e dispensador de lucros. Então, uma das pessoas que lá estavam lhe disse: “Mas se ele é assim, meu caro, por que é que você o está vendendo, em vez de tirar proveito de suas vantagens?”. Ele respondeu: “É que eu necessito de uma certa vantagem urgentemente, enquanto ele costuma conceder seus favores devagar”.

Para homem vergonhosamente cúpido que nem aos deuses tem respeito a fábula é oportuna.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 515

Esopo 364

O viandante e Hermes

Um viandante percorria um longo caminho e prometeu a Hermes que, se topasse com algum achado, lhe ofertaria a metade. Casualmente, ele encontrou um alforje com amêndoas e tâmaras. Pegou então o alforje e, pensando que continha dinheiro, sacudiu-o. E, quando viu que eram amêndoas e tâmaras, comeu tudo. Depois, pegou as cascas das amêndoas e os caroços das tâmaras e colocou-os sobre um altar, dizendo: “Hermes, estou pagando minha promessa. Reparti com você o que estava dentro do meu achado e também o que estava fora”.

Para homem avarento que, por cobiça, tenta fraudar até os deuses, a fábula é oportuna.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 520

Esopo 380

Zeus e os homens

Zeus criou os homens e ordenou a Hermes que despejasse neles inteligência. Então, ele a preparou e foi despejando uma porção igual em cada um. Assim se deu que os de pequeno porte ficaram repletos com a porção e se tornaram ajuizados, mas os grandes, visto que o líquido não era o bastante para todo o corpo (não chegava nem até os joelhos!), ficaram sem juízo.

Para homem de corpo grandalhão, mas de alma irracional, a fábula é oportuna.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 540

Esopo 382

Zeus juiz

Zeus determinou que Hermes gravasse em cacos de terracota os erros dos homens e que os depositasse a lado dele dentro de uma caixa, para que pudesse cobrar satisfações de cada um. Mas os cacos acabaram ficando baralhados. Assim, cada vez que Zeus faz o justo julgamento, os cacos caem nas mãos dele, uns mais devagar, outros mais rapidamente.

[A fábula mostra] Que não é de admirar que os injustos e os malvados demorem para receber o troco de suas más ações.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 542