Fedro 3.18

O pavão para Juno a respeito de sua voz

O pavão veio a Juno, queixando-se com indignação

porque ela não lhe atribuiu o canto do rouxinol;

que aquele era admirável para todas as aves

e que ele era zombado assim que soltava sua voz.

Então, para consolá-lo, disse a deusa: 5

“Mas vences na beleza, vences no tamanho;

o brilho da esmeralda resplandece em teu pescoço,

e tuas penas pintadas estende uma cauda de pedras preciosas”.

“De que me vale”, diz, “a beleza muda, se o som me vence?”

“As qualidades vos foram dadas pelo arbítrio dos fados; 10

a ti, a beleza, as forças à águia, ao rouxinol o canto,

o augúrio ao corvo, à gralha os presságios favoráveis;

e todas as aves estão contentes com seus próprios dotes.

Não queiras pretender o que não te foi dado,

para que tua esperança frustrada não acabe em queixa”. 15

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.