Esopo 218

O leão trancafiado e o lavrador

Um leão entrou no estábulo de um lavrador. Este, no desejo de apanhá-lo, fechou a porta do cercado. Impossibilitado de sair, o leão dizimou primeiro os rebanhos e, depois, se voltou também para os bois. E o lavrador, temendo por sua própria vida, abriu a porta. Quando o leão já estava longe, sua mulher, ao vê-lo chorando, disse: “Mas é bem feito para você! Por que resolveu trancafiar esse animal, que até de longe você devia evitar?”.

Assim, aqueles que provocam os mais fortes amargam com razão os próprios descuidos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 318

Esopo 346

A serpente e a águia

Fábula da águia e da serpente, exortando-nos a tomar a iniciativa de prestar favores.

Uma serpente e uma águia estavam engalfinhadas, lutando uma com a outra, quando a serpente se enlaçou na águia, prendendo-a. Um lavrador, ao ver a cena, desenrolou a serpente e deixou a águia ir embora livremente. Ressentida com isso, a serpente verteu veneno na água do salvador da águia. Mas quando o lavrador, descuidado, estava para beber a água, a águia fez um voo rasante e derrubou a taça das mãos dele.

A gratidão permanece à espera dos que fazem o bem.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 490

Esopo 361

As vespas, as perdizes e o lavrador

Vespas e perdizes, premidas pela sede, foram à casa de um lavrador pedir-lhe de beber, prometendo, em troca da água, esta compensação: as perdizes arrancariam as ervas daninhas das videiras, para os cachos ficarem viçosos, e as vespas fariam ronda para afugentar, com seus ferrões, os gatunos. E o lavrador respondeu: “Só que eu tenho dois bois que não me prometem nada, mas me fazem tudo. Logo, é melhor dar de beber a eles do que a vocês”.

Esta fábula [é oportuna] para homem mal recompensado.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 517