Fedro 1.9

O pássaro dando conselhos a uma lebre

Que é tolice dar conselho aos outros e não se precaver

mostraremos em poucos versos.

Um pássaro recriminava uma lebre que, apanhada por uma águia,

dava sentidos soluços: “Onde está”, diz,

“aquela tua conhecida rapidez? Por que os teus pés pararam assim?” 5

Enquanto falava, um gavião o arrebata, sem que ele se dê conta,

e, enquanto ele grita em vão lamento, o mata.

E a lebre, já meio morta, diz em consolo de sua morte:

“Tu, que há pouco em segurança rias de minha desgraça,

com queixa similar, lamentas o teu destino.” 10

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 8

A águia e o escaravelho

Uma águia perseguia uma lebre que estava longe de qualquer proteção. Mas, assim que a lebre avistou um escaravelho, o único protetor que a ocasião lhe oferecia, ela foi até ele e suplicou ajuda. O escaravelho a amparou e, quando viu a águia se aproximando, pôs-se a pedir-lhe que não levasse embora sua protegida. A águia, porém, esnobou a pequenez do escaravelho e devorou a lebre diante dele. Ressentido, o escaravelho passou a espreitar os ninhos da águia e, cada vez que ela punha ovos, subia lá no alto e os fazia rolar e quebrar, até que a águia, encurralada, buscou refúgio junto de Zeus, que a tem como sua ave sagrada, e pediu-lhe que arrumasse um lugar seguro para a ninhada. Zeus lhe deu permissão para botar os ovos no colo dele. Ao ver isso, o escaravelho fez uma pelota de esterco, voou até alcançar o colo de Zeus e soltou-a lá. Foi aí que Zeus se levantou para sacudir o esterco e, sem se dar conta, deixou cair os ovos. Desde então, dizem que, na época em que os escaravelhos aparecem, as águias não fazem ninho.

A fábula ensina a não menosprezar pessoa alguma, considerando-se que ninguém é tão fraco a ponto de não poder um dia se vingar de um ultraje.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 42

Esopo 70

O cão e a lebre

Após apanhar uma lebre, um cão de caça ora lhe dava mordidas, ora lambia-lhe os lábios. Então ela, interrompendo-o, lhe disse: “Ou você para de me morder, ou para de me beijar, a fim de eu saber se sua conduta é de amigo ou de inimigo”.

Para homem ambíguo a fábula é oportuna.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 124

Esopo 201

O leão e a lebre

Um leão deparou com uma lebre a dormir, e estava prestes a devorá-la quando avistou uma corça passando por ali. Pôs-se, então, a persegui-la, deixando de lado a lebre, que despertou com o tropel e fugiu. E o leão, depois de muito correr atrás da corça, sem no entanto conseguir apanhá-la, voltou para atacar a lebre. Mas, ao ver que ela havia fugido, disse: “Mas é bem-feito para mim, pois abandonei o repasto que tinha em mãos para dar prioridade à expectativa de um melhor”.

Assim, alguns homens, não ganhos modestos, satisfeitos com vão atrás de expectativas melhores e, sem notar, desperdiçam os que têm em mãos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 296

Esopo 216

O leão rei

Um certo leão tornou-se um rei que não era genioso, nem grosseiro, nem violento, mas dócil e justo, feito um ser humano. Em seu reinado houve um congresso de todos os animais, para ajustarem contas uns com os outros, o lobo com o cordeiro, a pantera com a camurça, o veado com o tigre e o cão com a lebre. Foi então que essa medrosa falou: “Rezei muito para ver este dia, em que os ínfimos apareçam aterradores para os violentos”.

[A fábula mostra] Que, quando existe justiça na cidade e todos pronunciam julgamentos justos, até a ralé vive despreocupadamente.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 316

Esopo 221

A lebre e a raposa

[A fábula mostra] Que muitas vezes um mal enorme acontece para os curiosos que usam indevidamente sua curiosidade.

A lebre disse para a raposa: “É verdade que você logra muito? Se não for isso, por que você tem o nome de logro?”. E a raposa: “Se você tem dúvida, venha cá, que eu vou lhe oferecer um jantar”. A outra a seguiu, mas no interior da toca não havia para a raposa nenhuma refeição, a não ser a lebre, que disse então: “Com minha desgraça estou aprendendo de onde vem seu nome: não vem do lucro, mas do engodo”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 321

Esopo 222

A lebre dentro do poço e a raposa

Uma lebre sentiu sede e desceu num poço para beber da água. Após haver-se fartado da deliciosa bebida, ia sair de lá quando se deu conta de que estava confinada, pois não tinha como galgar a subida, e começou a ficar apreensiva. Nisso, uma raposa veio ter ali também e, ao deparar com ela, disse: “Realmente você se meteu numa grande enrascada! Pois devia primeiro resolver como iria sair do poço e, só depois, descer dentro dele”.

Esta fábula denuncia e tomam atitudes pedem conselhos aqueles que não voluntariosas.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 322

Esopo 223

As lebres e as raposas

Certa vez, um bando de lebres que estava em guerra contra as águias convidou raposas para serem suas aliadas. Mas elas disseram: “Daríamos apoio a vocês, se não soubéssemos quem vocês são e contra quem estão fazendo guerra”.

A fábula mostra que aqueles que gostam de lutar contra os superiores tornam-se vítimas do fracasso e também de zombarias.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 324

Esopo 224

As lebres e as rãs

Cientes da própria covardia, as lebres concluíram que deviam se jogar de um precipício e, então, rumaram para o topo de uma ribanceira, que ia dar num brejo. E as rãs desse brejo, tão logo ouviram o tropel das lebres, se mandaram para o fundo da água. Foi então que uma das lebres as viu fazendo isso e disse para as demais: “Nada de nos lançarmos nessa fundura! Pois acabamos de descobrir que existem animais bem mais covardes do que nós!”.

Assim, também, para os homens, as desgraças alheias se tornam consolo para as infelicidades pessoais.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 325

Esopo 349

A tartaruga e a lebre

Uma tartaruga e uma lebre queriam disputar para ver quem era mais veloz. Então, fixaram um tempo e um percurso e deram a largada. A lebre, ligeira por natureza, encarou a corrida com displicência e, deitando-se à margem do caminho, adormeceu. E a tartaruga, consciente de sua própria lentidão, não parou de correr. Assim, ultrapassou a lebre, que ficou dormindo, e alcançou o prêmio da vitória.

A fábula mostra esforço vence uma natureza relapsa.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 496