Fedro 4.8

A serpente para o ferreiro

Quem com dente maldoso ataca a um mais mordaz,

sinta-se representado neste enredo.

Uma víbora veio à oficina de um ferreiro.

Ela, vasculhando se havia alguma coisa de comer,

mordeu uma lima. Esta, resistente, em resposta 5

diz: “Por que, sua tola, buscas ferir-me com teu dente,

a mim, que estou habituada a roer todo tipo de ferro?”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 120

A doninha e a lima

Uma doninha entrou na oficina de um ferreiro e se pôs a lamber uma lima que havia por lá. Aconteceu que sua língua foi se esfolando e dela passou a brotar muito sangue. A doninha, porém, se alegrou, presumindo que estivesse extraindo alguma coisa do ferro, até que, por fim, ficou sem língua.

A fábula é para aqueles que se prejudicam mutuamente em rixas.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 183

Esopo 372

A víbora e a lima

Uma víbora entrou na oficina de um ferreiro e pediu às ferramentas um donativo. Tendo sido atendida, chegou perto da lima e pediu que esta lhe desse algo. Então, ela respondeu: “Mas você é ingênua mesmo, se acha que vai obter alguma coisa de mim, que tenho por costume não dar, mas sim tirar de todo mundo!”.

A fábula mostra que são tolos os que têm expectativa de obter dos avaros algum lucro.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 529