Esopo 138

A gaivota e o milhafre

Uma gaivota tentou engolir um peixe, mas sua garganta se rompeu e ela acabou jazendo morta numa praia. Então um milhafre a avistou e disse: “Bem feito para você, que nasceu alada, mas tentava levar a vida no mar!”.

Assim, aqueles que abandonam os costumes domésticos e se lançam a negócios que não lhes dizem respeito sofrem com razão.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 209

Esopo 259

O milhafre e a serpente

Um milhafre pilhou uma serpente e saiu voando. Ela, no entanto, se voltou e lhe deu uma picada. Ambos despencaram do alto. O milhafre estava morto, mas a serpente lhe disse: “Que loucura foi essa? Você quis prejudicar os que não lhe fazem nenhum mal? Contudo você recebeu, pelo rapto, uma justa punição!”.

[A fábula mostra] Que uma pessoa que se entrega à cobiça e comete injustiça contra os mais fracos, quando menos espera, lança-se contra um mais forte e, então, pagará também os males que praticou anteriormente.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 370

Esopo 260

Os milhafres e os cisnes

Fábula dos milhafres e dos cisnes, que exorta a não se tentar imitar o descabido.

Tal qual o canto dos cisnes era aquele que a natureza, nos primórdios, havia destinado aos milhafres. Mas eles, quando ouviram os relinchos dos cavalos, caíram de amores por aquela voz. E, como se puseram a tentar imitá-la, acabaram ficando sem aquela que possuíam, pois deixaram de exercitá-la. Portanto, não aprenderam a relinchar e desaprenderam de cantar.

Leva à perda daquilo que já se possui quando se imita aquilo que é descabido.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 371

Esopo 335

O rato e a rã

Um rato da terra teve o azar de fazer amizade com uma rã. Decidida a praticar maldade, a rã amarrou a pata do rato à sua própria e lá foram os dois, primeiro ao campo, para comer trigo, e a seguir chegaram à beira da lagoa. Então, a rã empurrou o rato para o fundo, enquanto ela própria se escarrapachava na água berrando seus coax-coax-coax. O pobre rato acabou morrendo, cheio de água, e ficou boiando, amarrado ao pé da rã. Foi então que um milhafre o avistou e, com as garras, apanhou-o. E a rã, presa que estava a ele, seguiu junto, tornando-se, ela também, manjar para o milhafre.

[A fábula mostra] Que mesmo quem está morto tem força para vingar-se, pois a justiça divina supervisiona tudo e retribui o equivalente a cada ação, pesando-a na balança.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 474