Esopo 261

O morcego e as doninhas

Um morcego caiu no chão e foi apanhado por uma doninha. Quando viu que estava para ser morto, pediu por favor que ela o poupasse. Mas, como ela respondeu que não podia soltá-lo, inimiga que era por natureza de todos os pássaros, ele disse que não era passarinho, e sim rato. Dessa maneira, safou-se. Tempos depois ele tornou a cair e, ao ser apanhado por outra doninha, pediu que o soltasse. E como ela lhe respondeu que tinha bronca de todos os ratos, ele disse que não era rato, e sim morcego. E escapou de novo. E foi assim que, trocando de nome, ele se salvou duas vezes.

Pois é. Portanto, também nós não devemos persistir sempre nas mesmas atitudes, considerando que aqueles que se adaptam às situações escapam muitas vezes de sérios perigos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 372

Esopo 262

O morcego, a sarça e a gaivota

Um morcego, uma sarça e uma gaivota formaram uma sociedade e decidiram dedicar-se ao comércio. Assim, o morcego tomou dinheiro emprestado e depositou-o num fundo comum; a sarça trouxe vestes grudadas em si e a terceira sócia, a gaivota, comprou cobre e embarcou-o num navio. E então puseram-se ao mar. Mas veio uma violenta tempestade e o navio foi a pique. E eles, embora tivessem perdido tudo, alcançaram a terra, sãos e salvos. Desde então, a gaivota mergulha fundo, presumindo que um dia encontrará o cobre. O morcego, por sua vez, não aparece de dia, com medo dos credores, e só sai à noite para caçar. E a sarça vive à procura de suas vestes e, para tentar reconhecê-las, se gruda nos mantos de quem passa perto dela.

A fábula mostra que damos mais importância para as coisas que estão vinculadas a nossos fracassos anteriores.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 373

Esopo 276

O noitibó e o morcego

Um noitibó cantava à noite, preso numa gaiola suspensa na janela. Ao ouvir seu canto, um morcego se aproximou e quis saber por que motivo ele ficava em silêncio de dia e cantava à noite. Ele respondeu que não era à toa que se comportava assim; o fato é que ele tinha sido apanhado de dia, enquanto cantava, e por isso desde aquele momento se tornara precavido. Disse-lhe, então, o morcego: “Mas naquele dia é que você devia ter sido cauteloso, antes de ser apanhado, e não agora, que não adianta mais!”.

A fábula mostra que, depois de ocorrida a desgraça, é inútil o arrependimento.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 391