Esopo 214

O leão, Prometeu e o elefante

Um leão vivia se queixando com Prometeu porque este o havia feito grande e belo, havia munido sua mandíbula de dentes e fortalecido suas patas com garras; fizera-o, enfim, mais poderoso que os outros animais. “Mas eu, com tais regalias”, dizia ele, “tenho medo do galo!” E Prometeu respondeu: “Você não tem motivo para me culpar, pois recebeu de mim tudo o que eu pude fazer. E é só diante desse animal que seu ânimo esmorece!”. Mas o leão se deplorava, recriminando a própria covardia e, por fim, quis morrer. Estava com essas ideias na cabeça, quando encontrou por acaso um elefante. Este o cumprimentou e se deteve a conversar. Ao ver que ele abanava as orelhas o tempo todo, o leão disse: “O que há com você? Por que não sossega um pouco essa orelha?”. E o elefante, que justamente naquele momento estava com um mosquito voejando ao seu redor, respondeu-lhe: “Você está vendo esta coisa minúscula, este zumbidor? Se ele entrar no buraco do meu ouvido, estou morto!”. E o leão tornou: “Ora! Por que eu, que sou o tal, deveria morrer, se sou muito mais sortudo que o elefante, uma vez que o galo é bem mais que um mosquito?”.

Você está vendo a força que tem o mosquito, a ponto de amedrontar até um elefante!

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 312-313

Esopo 265

A mosquito e o leão

Um mosquito chegou para um leão e disse: “Eu não tenho medo de você, nem você é mais forte do que eu. Senão, que força tem você? Só porque arranha com essas garras e morde com esses dentes? Isso até uma mulher faz quando briga com o marido! Eu, sim, sou muito, mas muito mais forte que você. E, se quiser, vamos ao combate!”. E o mosquito fez soar a trombeta e investiu contra ele, picando sua cara sem pelo, ao redor das narinas. E o leão, tentando afastá-lo, se feria com suas próprias garras, até que acabou se rendendo. Então o mosquito, tendo vencido o leão, fez soar a trombeta, entoou um epinício, um canto de vitória, e ficou voando. E, depois, chocou-se com uma teia de aranha. Então, ao ser devorado, lastimou que ele, que lutava com animais enormes, estava sendo morto por um reles bicho como a aranha.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 377

Esopo 266

O mosquito e o touro

Um mosquito pousou no chifre de um touro e lá ficou parado por um bom tempo. Quando estava para ir embora, perguntou ao touro se era de seu agrado que ele se fosse. Então o touro respondeu: “Mas nem notei quando você chegou, e tampouco vou notar se você for embora”.

Esta fábula uma pessoa poderia usar para um homem imprestável, cuja presença ou ausência nem ajuda nem atrapalha.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 379