Esopo 18

As árvores e a oliveira

Certa vez, as árvores se comprometeram a escolher um rei para elas e disseram à oliveira: “Seja nossa rainha”. E a oliveira respondeu: “Abrir mão do prestígio que, graças a meu óleo, o deus e também os homens me conferem, para assumir o governo das árvores?”. E disseram as árvores à figueira: “Venha ser nossa rainha”. E a figueira respondeu: “Abrir mão da doçura e da excelência de meus frutos, para assumir o governo das árvores?”. E disseram as árvores ao piracanto: “Venha ser nosso rei”. E respondeu o piracanto às árvores: “Se vocês estão de verdade me ungindo rei, venham ficar embaixo de minha sombra. Do contrário, que saia fogo do piracanto e que ele consuma os cedros-do-líbano!”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 55

Esopo 129

A figueira e a oliveira

Assim que uma figueira perdeu as folhas na estação do inverno, uma oliveira, sua vizinha, começou a recriminar seu desnudamento, dizendo: “Eu, tanto no inverno como no verão, estou sempre adornada com minhas folhas, que são perenes. Mas você tem uma beleza passageira, que só dura um verão”. Enquanto ela se gabava, um raio caiu subitamente, por obra divina, e incinerou-a, mas não atingiu nem de raspão a figueira.

Assim, os que se gabam da sorte e da riqueza assumem a responsabilidade por desgraças em excesso.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 196