Bábrio 1.67

O leão e o onagro

Um onagro e um leão formaram uma sociedade de caça;

em força o leão era superior, mas o asno era melhor nas patas.

Quando conseguiram uma boa quantia de animais,

o leão faz a partilha, determina três porções

e diz: “Esta eu próprio pegarei em primeiro lugar, 5

pois sou rei; e pegarei também aquela

como sócio com direitos iguais. E a terceira, essa

irá causar-te um certo mal, se não quiseres fugir.”

     Mede a ti próprio. Nenhum negócio com homem

mais poderoso combines nem faças sociedade com ele. 10

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Esopo 206

O leão e o onagro

Um leão e um onagro estavam caçando bichos, o leão recorrendo à sua força e o onagro, à rapidez de suas patas. Assim que caçaram alguns, o leão se pôs a fazer a partilha e separou três partes, dizendo: “A primeira eu vou pegar porque tenho prioridade, afinal, sou o rei. A segunda eu vou pegar porque sou seu sócio, com direitos iguais. E essa, a terceira, vai lhe causar um grande mal se você não quiser fugir”.

[A fábula mostra] que o bom é medir-se em tudo segundo a própria força, e não se juntar nem fazer sociedade com os mais poderosos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 302

Esopo 277

O onagro e o burro

Ao ver um burro carregando um pesado fardo, um onagro se pôs a desdenhar de sua escravidão, dizendo: “Eu é que sou afortunado, pois vivo em liberdade, levo a vida sem fastios e tenho nas montanhas pastagem à minha disposição. Você, ao contrário, recebe alimento de outrem e vive continuamente submisso à escravidão e a pancadas”. Aconteceu, porém, que naquela mesma hora surgiu um leão, que nem chegou perto do burro, porque o burriqueiro o acompanhava; mas o onagro, que estava sozinho, ele atacou furiosamente e fez dele seu repasto.

Esta fábula mostra que os insubordinados e inflexíveis caem em desgraça de uma hora para outra, pois se deixam levar pela obstinação e prescindem de qualquer ajuda.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 395