Esopo 140

Os galos e a perdiz

Ao encontrar à venda uma perdiz domesticada, um homem que já tinha galos comprou-a e levou-a para casa, para criá-la junto com eles. Mas os galos davam bicadas e perseguiam a perdiz. Ela se sentia oprimida, achando que era rejeitada por ser de outra espécie. Passado algum tempo, ela notou que os galos se engalfinhavam e não se largavam antes de um deixar o outro coberto de sangue. Então ela disse para si: “Mas eu é que não mais me importo em levar bicadas, pois vejo que eles não respeitam nem a si mesmos”.

A fábula mostra que os prudentes suportam facilmente os excessos dos vizinhos, quando veem que eles não respeitam nem os próprios familiares.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 211

Esopo 285

O passarinheiro e a perdiz

Já era tarde da noite quando um passarinheiro recebeu um hóspede em casa. E, como não tivesse o que lhe oferecer, avançou sobre sua perdiz domesticada, e estava prestes a sacrificá-la quando ela começou a chamá-lo de mal-agradecido, pois inúmeras vezes lhe tinha sido útil, sempre que atraía suas semelhantes para as mãos dele. E agora ele ia matá-la!? Então o passarinheiro rebateu: “Mas é bem por isso que vou matar você, pois nem suas semelhantes você poupa!”.

A fábula mostra que aqueles que traem os parentes conquistam o ódio não só dos injustiçados, como também dos que se beneficiam da traição.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 406

Esopo 298

A perdiz e o homem

Um homem caçou uma perdiz e já estava para puxar seu pescoço quando ela se pôs a dizer, suplicando: “Deixe-me viver e, em compensação, eu lhe caçarei muitas perdizes”. Ele respondeu: “Mais um motivo para eu puxar seu pescoço, pois você está querendo fazer uma emboscada para seus amigos e companheiros”.

[A fábula mostra] Que quem faz tramoias contra os amigos acaba caindo nas malhas dos perigos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 421

Esopo 361

As vespas, as perdizes e o lavrador

Vespas e perdizes, premidas pela sede, foram à casa de um lavrador pedir-lhe de beber, prometendo, em troca da água, esta compensação: as perdizes arrancariam as ervas daninhas das videiras, para os cachos ficarem viçosos, e as vespas fariam ronda para afugentar, com seus ferrões, os gatunos. E o lavrador respondeu: “Só que eu tenho dois bois que não me prometem nada, mas me fazem tudo. Logo, é melhor dar de beber a eles do que a vocês”.

Esta fábula [é oportuna] para homem mal recompensado.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 517